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03.03.11

- 29 de janeiro de 2011 – 22h57min - [fragmento de anotações diárias das férias]

           Angústia não tem sido o principal nesses tempos de maré mansa (mais pra baixa). Por incrível que pareça, ou pela resiliência que possa significar, o marasmo tem tomado conta. Talvez cheguei ao estágio a mim tão desconhecido do acionar o “foda-se” e, de fato, sem artifícios, pensar assim sobre uma série de acontecimentos.

            Eu, com toda essa introspecção ao mesmo tempo, velha (e diplomática) conhecida e fonte de bons momentos de “náusea” ao estilo sartreano, tenho feito descobertas preciosas nestes dias de distância da rotina. Posso até compartilhar alguns aqui. Penso, inclusive, ter muito mais a descobrir (espero) e a construir. Mas, a título de diversão alheia (e minha, claro), porei na tela branca.

            Por exemplo, o ritual básico do café da manhã. A mim, a refeição que delimita se meu dia será carregado de bom ou mau humor. É, pois é. Eu não tinha me percebido com essa, digamos, ‘rigidez’. Mesmo não gostando desse termo, foi o primeiro que me veio à mente e por respeitar Freud, resolvi que seria ele mesmo. Bom, o fato é que, por sentir o cheiro gostoso daquele pó mágico chamado ‘café’ logo cedo, como primeira memória acionada no dia, seguido de todo o acompanhamento (incluindo as catástrofes dos telejornais matinais), me põe no eixo. Literalmente sou retirada do mundo dos sonhos para o mundo em que o Sol é rei.

            Ah! Claro, como esquecer de Sua Alteza. Dias de chuva, ou mesmo nublados são sinônimo de tristeza, melancolia, filhadaputisse, qualquer coisa do tipo, a mim. Sim, o céu tem esse poder. Não é à toa que, toda a vez que me perguntam sobre a cidade onde moro eu respondo “ah...lá é um calor delicioso e a gente já acorda com o Sol pedindo pra entrar”. É gostoso perceber isso. E ter essa certeza como um traço que é meu. Ou ter a quem culpar quando não quero que o dia seja produtivo. Hehe. Mas, brincadeiras à parte, realmente sou uma daquelas Birutas ambulantes de quatro olhos.

            Por esses tempos, como venho acompanhando um curso intensivo televisivo sobre como ter controle sobre seus cachorros (férias, né? Qual é!), decidi que terei, um dia, um Doberman pra chamar de meu. É. Disciplinado (como eu), companheiro (gosto disso), independente (melhor ainda) e guardião (o que eu mais admiro num cão). Pois então. Quem diria, não? Até minha mãe se assustou com essa. Meu pai iria gostar, sempre teve grandes raças como preferidas, e não tanto os pequeninos peludos. Ah! E vai se chamar “Nero”. Bonito, né?

            O ponto alto e, como em todo caso, deixado por último para ser tratado, é a solidão. Tão subestimada e que tem, em mim, uma grande fã. Não falo da solidão no sentido de não estar com ninguém e sofrer por isso. É aquela por escolha, que liberta, que silencia. É dessa que eu gosto. E pratico, acreditem (os que não me conhecem, claro). Não é à toa o meu insucesso na maioria dos relacionamentos (ou tentativas de). Mas esse é o caso que não quero aprofundar. Já basta o que carrego comigo.

            Tudo, simplesmente tudo que eu faço, faço melhor e com muito mais satisfação, se for sozinha. É incrível. Tomando como exemplo o café da manhã: se tenho esse setor do dia somente comigo, o Sol e minha xícara ofegante, tudo é mais bonito, incluindo o dia que está nascendo. Moro sozinha (e não troco por nada); como sozinha na maior parte dos dias, principalmente quando não estou em férias, apesar de apreciar certos dias na companhia de amigos ou familiares pra uma refeição juntos. Tantas coisas...estudo, leio sozinha; e somente se realmente estiver sozinha. Do contrário, esqueça. Pratico um esporte essencialmente solitário, individual, que é nadar...

            Cinema! O melhor filme é sempre quando assisto sozinha. Adoro. Em casa também. Eles são muito mais dialogáveis quando o papo é sé entre nós dois. Nunca, nos tempos de escola (e até hoje há resquícios), gostei de redigir provas, trabalhos, em sala. Jamais substituiria o silêncio do meu estudo solitário por uma sala cheia de crianças falantes, ou canetas nos papéis, claro, como que me pressionando. E, olha só! Voltamos ao ‘silêncio’ gratificante dessa solidão de que falo.

            Enfim. Parece loucura (ou talvez seja, mas, que se dane), mas gosto dessas peculiaridades. Férias, como sempre digo, são, a mim, tempos de reconstruir, ‘purificar’, se preferir. Penso até cansar nesses meses sem todo o estardalhaço do ano letivo. E, de tanto pensar, às vezes chego a algumas conclusões. Muitas delas inexistentes em outros períodos. É bom olhar pra dentro, de vez em quando, e encontrar coisas novas. Melhor ainda, é gostar do que vê.


Escrito por Lolita às 00h28
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27.02.11

 

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua. [Cortazar, 'Rayuela', cap.7]

 

 


O primeiro contato foi o de sempre: um abraço forte que preenchia mais um tanto de vazio causado pela saudade de uns três meses sem aquela doce presença. Em meio a luzes, pessoas, músicas estridentes e nem todas ao nosso gosto, fez-se importante. Aquele que todo o tempo estava logo ao lado, poética e amigavelmente encantador. Hilda Hilst fez companhia naquela noite tão apressada, tão intensa. A pressa em se fumar todos os cigarros e beber todas as bebidas do mundo numa só noite. Como se o amanhecer jamais voltasse a ser visto por nós. Incríveis coincidências. A dificuldade em perceber que era realmente (e continua sendo) isso que deveria acontecer a nós. Sublime encontro.

                As cores das luzes que pairavam sobre nossas cabeças tornaram a noite mais colorida. Aquela que ficará sempre na lembrança. Assim como o doce gosto do metal que, preso à boca dele, demarcava território na minha. E, hoje, entendo o porquê de uma criação da minha parte, literária, ter demorado tanto a vir. Era a espera por um momento maior, aprimorado e menos confuso. Mais definido e, por que não, ‘sóbrio’. Saber-se existente naquelas horas, olhar-se pela íris do outro era essencial.

                Foi o ‘quando’ de uma sexta à noite, no ‘como’ de um encontro legendário.

                E bom que foi.

                E bom que é.

                E bom que sempre será, enquanto essas duas almas existirem.

 


Escrito por Lolita às 14h15
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