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12.03.11

MUDANÇA DE ENDEREÇO

Mesmos conteúdos, mesma autora: sítio diferente:


http://www.emdorfina.wordpress.com

 

 


Escrito por Lolita às 23h25
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Um sinal de final de semana. Um dia qualquer, uma sexta-feira. 

Aquele banho de chuva tão esperado. E as árvores que assistiam, deliciando-se. Caso eu estivesse odiando aquilo tudo, ririam ardilosas de mim, certamente. Mas não foi o ocorrido. 

Versos percorreram-me tão rápido que sequer peguei algum, na corrida. 

Lavada a alma, além das havaianas encardidas. É bom sentir-se viva assim. 

Assim como aqueles galhos, folhas e estruturas anciãs e acostumadas com as enxurradas, hoje era eu, de início incomodada. 

Em uma outra vida quero nascer árvore. E beber de todas as chuvas, sem estranhamento, só apreciação.


Escrito por Lolita às 00h07
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03.03.11

- 29 de janeiro de 2011 – 22h57min - [fragmento de anotações diárias das férias]

           Angústia não tem sido o principal nesses tempos de maré mansa (mais pra baixa). Por incrível que pareça, ou pela resiliência que possa significar, o marasmo tem tomado conta. Talvez cheguei ao estágio a mim tão desconhecido do acionar o “foda-se” e, de fato, sem artifícios, pensar assim sobre uma série de acontecimentos.

            Eu, com toda essa introspecção ao mesmo tempo, velha (e diplomática) conhecida e fonte de bons momentos de “náusea” ao estilo sartreano, tenho feito descobertas preciosas nestes dias de distância da rotina. Posso até compartilhar alguns aqui. Penso, inclusive, ter muito mais a descobrir (espero) e a construir. Mas, a título de diversão alheia (e minha, claro), porei na tela branca.

            Por exemplo, o ritual básico do café da manhã. A mim, a refeição que delimita se meu dia será carregado de bom ou mau humor. É, pois é. Eu não tinha me percebido com essa, digamos, ‘rigidez’. Mesmo não gostando desse termo, foi o primeiro que me veio à mente e por respeitar Freud, resolvi que seria ele mesmo. Bom, o fato é que, por sentir o cheiro gostoso daquele pó mágico chamado ‘café’ logo cedo, como primeira memória acionada no dia, seguido de todo o acompanhamento (incluindo as catástrofes dos telejornais matinais), me põe no eixo. Literalmente sou retirada do mundo dos sonhos para o mundo em que o Sol é rei.

            Ah! Claro, como esquecer de Sua Alteza. Dias de chuva, ou mesmo nublados são sinônimo de tristeza, melancolia, filhadaputisse, qualquer coisa do tipo, a mim. Sim, o céu tem esse poder. Não é à toa que, toda a vez que me perguntam sobre a cidade onde moro eu respondo “ah...lá é um calor delicioso e a gente já acorda com o Sol pedindo pra entrar”. É gostoso perceber isso. E ter essa certeza como um traço que é meu. Ou ter a quem culpar quando não quero que o dia seja produtivo. Hehe. Mas, brincadeiras à parte, realmente sou uma daquelas Birutas ambulantes de quatro olhos.

            Por esses tempos, como venho acompanhando um curso intensivo televisivo sobre como ter controle sobre seus cachorros (férias, né? Qual é!), decidi que terei, um dia, um Doberman pra chamar de meu. É. Disciplinado (como eu), companheiro (gosto disso), independente (melhor ainda) e guardião (o que eu mais admiro num cão). Pois então. Quem diria, não? Até minha mãe se assustou com essa. Meu pai iria gostar, sempre teve grandes raças como preferidas, e não tanto os pequeninos peludos. Ah! E vai se chamar “Nero”. Bonito, né?

            O ponto alto e, como em todo caso, deixado por último para ser tratado, é a solidão. Tão subestimada e que tem, em mim, uma grande fã. Não falo da solidão no sentido de não estar com ninguém e sofrer por isso. É aquela por escolha, que liberta, que silencia. É dessa que eu gosto. E pratico, acreditem (os que não me conhecem, claro). Não é à toa o meu insucesso na maioria dos relacionamentos (ou tentativas de). Mas esse é o caso que não quero aprofundar. Já basta o que carrego comigo.

            Tudo, simplesmente tudo que eu faço, faço melhor e com muito mais satisfação, se for sozinha. É incrível. Tomando como exemplo o café da manhã: se tenho esse setor do dia somente comigo, o Sol e minha xícara ofegante, tudo é mais bonito, incluindo o dia que está nascendo. Moro sozinha (e não troco por nada); como sozinha na maior parte dos dias, principalmente quando não estou em férias, apesar de apreciar certos dias na companhia de amigos ou familiares pra uma refeição juntos. Tantas coisas...estudo, leio sozinha; e somente se realmente estiver sozinha. Do contrário, esqueça. Pratico um esporte essencialmente solitário, individual, que é nadar...

            Cinema! O melhor filme é sempre quando assisto sozinha. Adoro. Em casa também. Eles são muito mais dialogáveis quando o papo é sé entre nós dois. Nunca, nos tempos de escola (e até hoje há resquícios), gostei de redigir provas, trabalhos, em sala. Jamais substituiria o silêncio do meu estudo solitário por uma sala cheia de crianças falantes, ou canetas nos papéis, claro, como que me pressionando. E, olha só! Voltamos ao ‘silêncio’ gratificante dessa solidão de que falo.

            Enfim. Parece loucura (ou talvez seja, mas, que se dane), mas gosto dessas peculiaridades. Férias, como sempre digo, são, a mim, tempos de reconstruir, ‘purificar’, se preferir. Penso até cansar nesses meses sem todo o estardalhaço do ano letivo. E, de tanto pensar, às vezes chego a algumas conclusões. Muitas delas inexistentes em outros períodos. É bom olhar pra dentro, de vez em quando, e encontrar coisas novas. Melhor ainda, é gostar do que vê.


Escrito por Lolita às 00h28
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27.02.11

 

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua. [Cortazar, 'Rayuela', cap.7]

 

 


O primeiro contato foi o de sempre: um abraço forte que preenchia mais um tanto de vazio causado pela saudade de uns três meses sem aquela doce presença. Em meio a luzes, pessoas, músicas estridentes e nem todas ao nosso gosto, fez-se importante. Aquele que todo o tempo estava logo ao lado, poética e amigavelmente encantador. Hilda Hilst fez companhia naquela noite tão apressada, tão intensa. A pressa em se fumar todos os cigarros e beber todas as bebidas do mundo numa só noite. Como se o amanhecer jamais voltasse a ser visto por nós. Incríveis coincidências. A dificuldade em perceber que era realmente (e continua sendo) isso que deveria acontecer a nós. Sublime encontro.

                As cores das luzes que pairavam sobre nossas cabeças tornaram a noite mais colorida. Aquela que ficará sempre na lembrança. Assim como o doce gosto do metal que, preso à boca dele, demarcava território na minha. E, hoje, entendo o porquê de uma criação da minha parte, literária, ter demorado tanto a vir. Era a espera por um momento maior, aprimorado e menos confuso. Mais definido e, por que não, ‘sóbrio’. Saber-se existente naquelas horas, olhar-se pela íris do outro era essencial.

                Foi o ‘quando’ de uma sexta à noite, no ‘como’ de um encontro legendário.

                E bom que foi.

                E bom que é.

                E bom que sempre será, enquanto essas duas almas existirem.

 


Escrito por Lolita às 14h15
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24.02.11

Guerra Fria

é triste se ver em um beco sem saída. daqueles que não há, DE FATO, maneira alguma de escape, de pensar que há alternativa. não, não há. não existem novidades te esperando do outro lado do portão do seu prédio. não, você não sabe se comportar mais em conversas esparsas com quem há alguns anos dividia o mesmo ar viciado daquelas salas de aula de cursinho. vê-se sem energia pra qualquer coisa, pra qualquer pensamento mais complexo sobre o 'trabalhinho' que tem de ser entregue na semana seguinte. nem as músicas que te agradavam imensamente há uns poucos meses, dias até, não tem mais paciência pra ouvir. fatores da sua vida que antes tinham tanta cor, tanto brilho... onde foram parar? sequer começo esse texto com uma inicial maiúscula. justamente por não querer nem pensar em normas, regras e os caralhos. o sol, o calor, sua casa...não fazem mais o mesmo sentido. e é tão estranho, dá tanto medo de virar...de virar aqueles adultos amargos, sem energia e se arrastando pela rotina, porque, mais uma vez, como agora, não há escolha. e, cara...como assim, sabe? como assim, no auge de nossos 20 e poucos anos, estamos sem energia, atribulados e presos dentro dessas nossas cabeças que pensam e fantasiam tanto. nos deparamos com desafios diários que antes passavam batido. como, por exemplo, simplesmente levantar da cama e passar um café. dobrar o lençol da cama. só de pensar em dar um jeito, um rumo na vida do dia, cansa. não consegue sequer estender o braço até o açucareiro. 

açúcar?

fica só na música no Chico. aqui, tá em falta. várias vezes por dia, das mais diversas formas em que esse açúcar é necessário.


Escrito por Lolita às 12h08
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29.01.11

Só pó

Nada que vá além de um café numa livraria. Só pó.

Nada em mente, a não ser o pó dos móveis daquela casa que está sempre diferente. Ou talvez seja eu.

Nada a não ser olhares estranhos que tentam me dizer algo. Mas eu não entendo. Assim, como sempre, só pó. 


Seguir assim me faz bem.

Gosto da solidão.

Gosto.

Só o pó. E eu.

 

 


Escrito por Lolita às 15h33
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06.12.10

...apenas um tango

Foi para nunca mais esquecer aquela estrada que nos levaria ao paraíso. Tão perto, mas tão longe, a ponto de pensarmos todos que tal lugar não existiria de fato. 

Mãos inquietas, sem saber o que fazer. Pensamento corrente, sem conseguir se conter. Brincadeiras que não supriam a ansiedade dentro daquele cubículo a que chamam "ônibus".

E, ao chegar, em mim um sentimento de saudade me apertou o peito. Não saudade de minha terra natal, mas dali, daquelas ruas, daquela beleza toda que eu mal conhecia. 

Sabia, claro, que já estava apaixonada perdidamente por tudo aquilo. Por todos, por tudo. 

Dias em que as 24 horas foram poucas, mas que renderam e que o sono não via espaço para chegar até nós. 

De todos os lados, simpatia, cavalheirismos, trejeitos e roupas engraçados. 

A "terra encantada" que eu pensei nunca haver, estava ali, comigo, de todas as formas possíveis.

É... Que bons ares aqueles. Pelos quais me deixei levar e que espero voltar. Respirarei quantas vezes conseguir daqueles tão, tão bons ares. 

 

E derramarei minhas lágrimas de saudade quantas vezes for necessário... 

 


Escrito por Lolita às 10h54
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06.11.10

"Adonde vas ahora
Alguien llama por tu nombre
En la estacion
Tiraste tus sueños por la ventana
Dejaste en un papel tu dirección
Yo sé porque lloras
Nunca es fácil tomar la decisión
Alguiien te hace falta en la mañana
Y a alguien le rompiste el corazón
Suena otra vez tu nombre
En la estación
Ya non tienes tan claro porque vas
Por que no alcanzas
El tiempo que no pára
Y ahora llena el aire una canción
Quizas tu nueva vida empieza ahora
Del viejo mundo solo una impresión
Quizás no sea el fin de la historia
Quizás nunca dejaste
La Estación"

Tomar as melhores decisões, assim que lhes são exigidas. Por que, necessariamente, há de se fazê-lo? Geralmente  por não haver escolha, a não ser, naquele momento, escolher. Assim, de uma vez só. Perigosas tomadas de decisão, de medicação, de aguardo de alguma notificação que se lhe mostre eficaz. Eficácia garantida no fim de tudo. Se existe o desejo em findar-se com tudo, há também aí uma escolha. Uma e irrevogável escolha. Todos sabem qual é mas não gostam de nela pensar. E, aos que gostam, um aviso: estão tão próximos de escolhê-la que nem ao menos percebem tal magnitude. Perigo. Perigo este ser a que denominamos "humano". Pelo menos em sua composição física, de carne, osso, pele, órgãos, sim. Mas, seremos mesmo humanidade cercada de atos realmente humanizados? Acho que não.

Pela estrada a fora, a vida lhe interpõe obstáculos, mais e mais decisões acerca deles. Mas, pense bem, até ao ignorá-los você escolheu. Até aí é uma possibilidade [mesmo que de má-fé] de agir sobre este "mundo, vasto mundo". Escolhas. Não há jeito de escapar delas. Nem fingindo um sono profundo. Ou escolhendo um sono eterno. "Eternificados" que somos. Que podemos escolher ser.


Escrito por Lolita às 09h27
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27.09.10

Mundo mortal que é


E você, que me fez fluir na imensidão desse mar que é a vida. E você, que mesmo sem eu conhecer, me fez relembrar um processo tão doloroso que há tempos não vivia: o luto. O velho e tão temido luto. Só porque eu chegava pra nadar e você me sorria um feliz sorriso de “vou com a sua cara, sabia?” já me conquistou e, por conseqüência, me fez escrever tudo isso aqui, “derrepentemente”. Como num passo para a eternidade e pros além-mar dessa nossa existência, eu, um tempinho atrás, hoje de manhã, não tive a mesma inspiração ao falar de Sartre numa prova. Agora, não sei bem o porquê, tudo me flui, tudo e nada me escapa da vista, da memória, da percepção de que você poderia estar por perto de mim. O amigo que eu deixei de ter, o conhecido que eu admirava à distância, o velho detentor de um sorriso magnífico. Esse era você pra mim. É ainda. Imagine o que poderia ter sido, caso eu tivesse tomado vergonha na cara e fosse até o andar de cima da piscina e falasse “vou com a tua cara, sabia?”. Quem sabe não tivéssemos nos identificado somente com uma frase singela como esta. E por que não? Nunca saberemos, meu caro. Nem sei ao menos se, neste instante em que me lembro [pela milésima vez] de você, sou percebida, vista daí donde quer que esteja.

É, sim. Senti. Senti por não ter sentido com a mesma intensidade o que tantos que o amavam muito além do que eu posso imaginar sentiram. E parece ser uma marca, uma ferida, que nunca vai cicatrizar. Haverá sempre esse “e se” no pensamento meu. Tristeza, frustração, sentimento, sensibilização de que tudo deve ser feito no momento em que se tem a certeza de que aquilo é querido. E a lição de que, de agora em diante, dúvidas serão esclarecidas no ato em que se estabelecem. Assim como os laços. Esses preciosos companheiros nossos. 


Escrito por Lolita às 21h07
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20.09.10

Enquanto as pedras parecem amolecer...

...eu pareço continuar andando por sobre elas, sem dó. Da mesma forma que percebo que você está parado lá no início, antes mesmo de saber que gosto tem percorrer um caminho indefinido e, pelo que parece ser, incômodo. Às vezes me sinto só no mundo. Às vezes tenho esta sensação por não saber se tenho você pra confirmar de que não estou realmente. Por que será? Será o breu das casas que fotografo com meus olhos, ou os seus olhos que parecem não fixar nenhuma imagem sequer?

Uma nesga de inspiração me acomete agora. Não é engraçado? Exatamente agora, que você me parece como um algo estranho e desconhecido é que me vêm as palavras certas. Enquanto estava tudo bem, ou parecia estar, nada me ocorria. Quem sabe eu não deva dar mais valor às palavras que aos lábios que partem daí e chegam até mim raras vezes, não é?

A pele sente a falta. Os olhos também. E aí? Faz-se o quê com isso?

Matar ou morrer. Oito ou oitenta. Agora é com você, meu bem. Digo, “bem”, porque de “meu” há nada.

Estar ou não, ficar ou não, findar ou não. Ou não. Ou sim.

Cada memória me ocorre com um ar de desdém. Uma estranheza que não me pertencia antes. Será mesmo que esta sou eu? Angustiada e sem saber as respostas?

Bom, respostas eu tenho, só não quero crer nelas. Às vezes me é tão óbvia a indiferença que parte do outro lado do tabuleiro, do lençol, do banco, da raia que divide a química que há entre nós.

Raia. Raiva.

O toque diferente, o sorriso que não é mais o mesmo, a leveza que já se perdeu neste caminho nosso sem fim e com um retorno triste. É... não somos mais os mesmos.

Mas eu consigo ainda recuperar aquele rosto que se pintava com o inesperado por detrás da porta de saída.

E quanto a você? Imagino continuar na rigidez que os anos e as marcas te deram. Certo? Admitamos, não há mais um ser humano aí. Certo? Errada, eu? Não, não... você que não quer ver. Seus olhos estão opacos demais para perceberem a si próprios.

Vou desligar agora. E não me ligue com um pedido para uma foda casual. Oi? Acertou, nem isso me interessa mais em você.

E o silêncio ensurdecedor de cenas como estas tomou conta. E não acabou mais. 


Escrito por Lolita às 01h09
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11.08.10

Cansaço

 

        Cansa ter de adequar-se a moldes, estruturas pré-fixadas, discursos morais incompreensíveis. Cansa você perceber que toda uma história configura-se a partir de comportamentos narcisistas de quem te conhece desde que nasceu. 

         Corrói a alma saber que haverá batalhas muito mais assíduas aguardando por uma postura sua. Ou um simples start seu. Pensar que há três toneladas pesando em suas costas justamente por estas observações dói. A preguiça em ser forte existe, mesmo parecendo ser covarde. Mas não é. No fim das contas, você consegue (até) perseverar. Porém, a que custo? A partir de quanto desgaste?

         Todo um mundo de opções e verdades invalidadas a cada momento é o que consigo presenciar por agora. Pareço estar num mundo paralelo. Pode ser pelas descobertas que venho fazendo e que realmente são inéditas nessa minha vida. Turbulenta e (graças a Deus) emocionante que é.

         Todo um mundo de vitórias, conquistas, sucessos ímpares. Mundo este que não tem fim. Toda uma vida a percorrer nessa busca. E de (e pelos) fracassos também.

         O corpo somente reage como antes quando dou minhas braçadas na piscina e percebo que sou um ser só. As pluralidades se isentam naqueles 60, 70 minutos de água por todos os lados. É, sou uma ilha. (Sou?).

        Por que estas mudanças acontecem e, cada vez que me aproximo de alguma outra, temo pelo que virá em seguida? Será isto ser adulto? Será mesmo que o medo nunca vai passar? Enfrento, sim, sempre enfrentei as dificuldades. Mas, sabe... cansa. Esse cansaço me corrói a alma e o ciclo recomeça.

         E o ciclo não tem fim. 

 


Escrito por Lolita às 16h28
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03.07.10

 

Não, não é de tristeza comum que tenho falado. Não é da natureza morta que vemos e vivemos todos os dias. É a mornidão (se é que a palavra existe) com que os fenômenos nos passam, nos são tirados. Ou melhor, nos são arrancados dos braços como o filho que nos roubam à força. É de uma tristeza que consome; que produz lágrimas incessantemente sem que você saiba de onde vêem.

       É o impedimento de um projeto seu se realizar. É dessa tristeza que falo. É o empecilho que se posta diante dos seus olhos (e das suas ações) e que te tiram o Norte, o rumo de tudo. É a desilusão que chega sem temer, pois ela sabe que será soberana, mais cedo ou mais tarde.

         Um dia se aprende, a duras penas, que nem tudo é como você gostaria. E como a vida mostra isso bem, com clareza. Não há maneira de ser entendida de outra forma que não pela que se mostra à sua consciência. Sem existirem saídas, sem se poder fazer nada no sentido de modificar tal realidade. Sem ser somente dependente de um contingente totalmente de sua responsabilidade. Não. Há outros “seres  - no – mundo”, como Sartre bem nos fala, que interferem (e muito) na sua realidade existente. Ou seja, as frustrações acontecem em conjunto. Somos parte de uma totalidade que sofre junta, só não sabe que partilha desse sofrimento.

        Como resultado sofremos sós, a princípio. Sofremos com os projetos mal dados, com as intenções mal entendidas, com os diálogos mal estabelecidos. Sofrimento que nos perseguem. E esse é o problema. Pois, se hoje algo lhe dói, amanhã pode vir uma avalanche maior ainda. E você vai entender que a anterior chegou somente para te treinar, para te “amolecer” a carne e a alma. No fim das contas, você entende. Doído, mas passa. É a esperança que nos mantém vivos. 

 


Escrito por Lolita às 00h14
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22.06.10

Rememórias

            Rememorar aquele passado que se fez tão intenso, confuso, ambíguo a todos os que nele estiveram. É engraçado porque, ao mesmo tempo em que se decide pensar [e agir] sobre o que se passou há tantos anos, parece que algo conspira a favor para que tudo isso seja não só idealizado, mas vivido.

            Aquela pessoa que eu não via há anos e que hoje é motivo de músicas melosas pelo apartamento, com direito a acompanhamento desafinado e tudo, claro; aquele velho amigo que, repentina e quase que imediatamente, percebe também que seu passado vale à pena. Passado este que se conflui, confunde-se ao meu. Anos. Anos passam, mas os sentidos, os sentimentos “meio” que continuam ali, latentes. Esperando por uma respiração de recomeço, a puros pulmões.

            Até mesmo a recuperação de elementos que há oito (repito, oito) anos eram somente pó e lembranças de mal grado, resolvem cutucar um inconsciente que se mostrava até então magoado, mas sem ação. Refazer os laços, repensar as palavras, retomar as visitas. Isso é, sim, a família, que há tanto estava negligenciada.

            Sensações tão boas, enfim, que provêem destes acontecidos. E o curioso: até o dia de hoje, este texto era inacabado. Impossível de resolução. E, exatamente hoje, fechou-se um ciclo de retomada de laços, remexida de elementos do velho baú da minha consciência. E o texto, pelo mesmo caminho.

            Perdidamente embriago-me dessa nova fase, nessa nova página que começo a escrever com a mão cansada, porém, carregada de belas histórias. E, acima de tudo, de belas pessoas. 


Escrito por Lolita às 22h35
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11.06.10

sem precisão de entitulação

"Sempre o teu rosto nos meus espelhos, teus cães de caça nos meus joelhos. E um perfume que mata de ciúme (...)" - João Bosco.


As reflexões geradoras de tanto desprezo por sua parte (e de tanta insônia da minha) são angustiantes. Motivos reais até não são necessários. Fantasias existem para quê, não é mesmo?

Não, não sou paranóica, só exigente em demasia. Assim como me exijo elementos que me façam cada dia melhor, cada dia vivido como superação do anterior, também o faço com os que elegi para estarem comigo. Capacidade esta que me tira do sério inúmeras vezes. A ciência de que as pessoas não são (nem precisam ser) iguais a mim não me cabe na alma. Somente na racionalidade que me cabe por tantas vezes. 

Forço. Forço essa compreensão. Não, "forço" é extremista demais (tá vendo?). "Treino" é melhor. Isso, eu treino minha compreensão. Afinal, quem não o faz em certa medida?

E você, aí, que nem lê mais o que eu escrevo (porque já perdeu a graça, né? Já não sou mais novidade pra você mesmo...), a me colocar nessa corda que é mais bamba do que eu gostaria. Eu aguento, com seriedade o "bambolear" dela. Mas tudo tem seu limite. TUDO. Mesmo. 

E o meu limite, nessas idas vindouras de notícias já antigas demais pra mim? Onde estará ele? 

Provavelmente me esperando com uma gargalhada debochada e um pedaço de pizza na mão direita. 


(E, amanhã, dia dos namorados. Pizza? Gargalhadas?)


Escrito por Lolita às 21h06
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23.05.10

Sangue, apenas

As mãos repletas daquele sangue amargo que escorria pela boca da companheira. As unhas tomadas pelo ódio que sentira instantes antes do ato final. A certeza de que muitas vezes aquilo que agora era real fora vontade tantas e tantas vezes. E dentre essas vezes, as vontades ainda maiores de reatar, de consertar o que estava estragado entre eles. Mas ele não tinha mais paciência. Ele não via mais esperanças naquele caso mal resolvido que o tempo fez questão de tornar morno, murcho, cheio de pó.

Ela empalidecida sobre a cerâmica que haviam acabado de trocar. Clara cerâmica, clara expressão da jovem moça que era cheia de esperança e ilusões. Iludida, ludibriada por um alguém que a merecia, sim, só que de outra maneira, que não aquela. Tão violenta e direta maneira de "amar". Se é que alguma vez ambos pensaram nisso. Em amor. Em entrega, confiança.

Ele, por fim, cansado. Vencedor e vencido ao mesmo tempo. Da mesma forma que ela. Vencida por completo. Sem volta. Sem desculpa. Apenas vencida.


Escrito por Lolita às 16h37
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